Seus olhos não enganam mais. Nem o seu talento em arquitetar situações. Você perdeu o glamour. CONTENTE-SE. Contente-se em não fazer mais sentido. Não grite! Não Faça barulho. Ninguém te entende, tampouco podem te ouvir. Acompanhe o leve passar dos dias, como gotas de fim de chuva no beiral da janela. Plácida e morna vida. Mas CUIDADO. Ela te comerá pelas extremidades. Talvez comece pelos dedos mais longos até corroer o teu desejo mais íntimo. O mundo não faz mais o seu jogo.
CONTENTE-SE.
CONTENTE-SE?
CONTENTE?
Você não é tão ambicioso assim, não é mesmo? Renegue e deixe de ter razão. Fique com as tuas amarguras e angústias. Sabe por que? Porque elas é que te mantém vivo.
. Declarar minha contaminação pelos movimentos dadaísta e antropofágico, era uma necessidade antiga. Contaminação do meu ser, contaminação do meu trabalho, recodificação... Parece radical e insano marcar a própria carne com pequenas coisas nas quais acredita ... Dizem que as mulheres têm um gráfico proporcional entre sua insanidade e sua capacidade de ser interessante. Quanto mais insana mais interessante. Não estou completamente convicta.
BÁRBARA. Assim como seu nome tinha toda coragem e excesso nas veias. Mulher feita. Na verdade, desfeita e refeita muitas vezes. Não tivera amores dóceis. Bárbara tinha todo tipo de cicatrizes na alma. Daquelas que verdadeiramente doem por anos. Cicatrizes verticais platônicas. Cicatrizes transversais mal resolvidas. Cicatrizes horizontais gigantes, e outras, nem tanto. Trapezista aposentada, passava os dias a costurar figurinos. Bordava lantejoulas, enfeitava com contas, pregava fitas brilhantes, de maneira que os dias de Bárbara eram cercados de cores, brilhos e fucsias. Divergia seu cotidiano da estética da alegria com a sua vida limitada aos tons de cinza.
Daquela Vez, tua ausência cheirou sufoco. Grito Abafado. Olhos semi-abertos, ou quem sabe, grudados. O instante de dor profunda. Tua ausência gerou em meu útero loucura. Em meu corpo febre. E em minha alma tortura. Tua maldita ausência deixou meus dedos tensos, tortos. O estômago embrulhado. Todo som repulsivo. Minha fala ficou áspera. Minhas pernas roxas. As cutículas em carne viva. Abandonada em um instante de tempo e espaço que só tua presença... traria luz e calmaria.
"Quer se trate do corpo de outrem, quer se trate do meu, não tenho outro modo de conhecer o corpo humano, senão vivendo-o, isto é, assumindo por minha conta o drama que me atravessa e fundindo-me com ele"