sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Pulover Vermelho.



A cada página adentrada

De longa insônia e vazia madrugada


Espero Você.


Notícia alguna, nenhuma

Em tantos pseudonimos, que penso


Agora sim, Agora é você.


Mas não é, nunca é

Eu conheço o teu jeito de pôr palavras juntas

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Não sou um comercial de margarina.




Seus olhos não enganam mais. Nem o seu talento em arquitetar situações. Você perdeu o glamour. CONTENTE-SE. Contente-se em não fazer mais sentido. Não grite! Não Faça barulho. Ninguém te entende, tampouco podem te ouvir. Acompanhe o leve passar dos dias, como gotas de fim de chuva no beiral da janela. Plácida e morna vida. Mas CUIDADO. Ela te comerá pelas extremidades. Talvez comece pelos dedos mais longos até corroer o teu desejo mais íntimo. O mundo não faz mais o seu jogo.

CONTENTE-SE.

CONTENTE-SE?

CONTENTE?

Você não é tão ambicioso assim, não é mesmo? Renegue e deixe de ter razão. Fique com as tuas amarguras e angústias. Sabe por que? Porque elas é que te mantém vivo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Hot x Crazy.


. Declarar minha contaminação pelos movimentos dadaísta e antropofágico, era uma necessidade antiga. Contaminação do meu ser, contaminação do meu trabalho, recodificação... Parece radical e insano marcar a própria carne com pequenas coisas nas quais acredita ... Dizem que as mulheres têm um gráfico proporcional entre sua insanidade e sua capacidade de ser interessante. Quanto mais insana mais interessante. Não estou completamente convicta.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Estado: Crítico.



.:Planejamento de ano novo:


_Somente eu e a TV a cabo. (Executado)


_Remoer todas as dores do ano. (Executado)


_Jantar pra um. (Executado)


_Não tomar banho. (Executado)


_Suicídio a meia noite. (Postergado para o póximo ano)


Incompleta.
Dependente de qualquer resto de imundícia.
Carente de sombra de pessoa ausente. Qualquer.

Digo: _ Sou Fria!

Mentira.

Digo: _ Sofria...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

INSIDE

estudo cenotécnico de meyerhold
USINA MERCENÁRIA
PRODUZINDO SEM CESSAR
TROMBA D'AGUA
CARREGANDO GALHOS, CASAS
ATÉ A CHUVA PARAR
DESTROÇOS DE MIM...
SE A USINA DESSE UM TEMPO
E NESTE INSTANTE FOSSE ....SILÊNCIO.
A CHUVA PARASSE
E EM LAGO MANSO TRANSFORMASSE
ESTE É O LUGAR DE FUGA
QUE PROCURO
DENTRO
ENQUANTO NÃO ACHO:
MAQUINADAS
MARTELADAS
ÁGUAS CONTURBADAS
ÁRVORES ARRASTADAS.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

HUIS CLOS para Otávio

Da vida não se sai pela porta:
só pela janela.
Não se sai
bem da vida como não se sai
bem de paixões jogatinas drogas.
E é porque sabemos disso e não
por temer viver depois da morte
em plagas de Dante Goya ou Bosh
(essas, doce príncipe, cá estão)
que tão raramente nos matamos
a tempo: por não considerarmos
as saídas disponíveis dignas
de nós, que em meio a fezes e urina,
sangue e dor nascemos para lendas,
mares, amores, mortes serenas.
Antônio Cícero

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Bárbara



BÁRBARA. Assim como seu nome tinha toda coragem e excesso nas veias. Mulher feita. Na verdade, desfeita e refeita muitas vezes. Não tivera amores dóceis. Bárbara tinha todo tipo de cicatrizes na alma. Daquelas que verdadeiramente doem por anos. Cicatrizes verticais platônicas. Cicatrizes transversais mal resolvidas. Cicatrizes horizontais gigantes, e outras, nem tanto. Trapezista aposentada, passava os dias a costurar figurinos. Bordava lantejoulas, enfeitava com contas, pregava fitas brilhantes, de maneira que os dias de Bárbara eram cercados de cores, brilhos e fucsias. Divergia seu cotidiano da estética da alegria com a sua vida limitada aos tons de cinza.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Irritável!

foto por Bruna Assagra

Daquela Vez, tua ausência cheirou sufoco. Grito Abafado. Olhos semi-abertos, ou quem sabe, grudados. O instante de dor profunda. Tua ausência gerou em meu útero loucura. Em meu corpo febre. E em minha alma tortura. Tua maldita ausência deixou meus dedos tensos, tortos. O estômago embrulhado. Todo som repulsivo. Minha fala ficou áspera. Minhas pernas roxas. As cutículas em carne viva. Abandonada em um instante de tempo e espaço que só tua presença... traria luz e calmaria.

domingo, 30 de novembro de 2008

Daquela Vez..

Foto de Guto Souza Filho
"Quer se trate do corpo de outrem, quer se trate do meu, não tenho outro modo de conhecer o corpo humano, senão vivendo-o, isto é, assumindo por minha conta o drama que me atravessa e fundindo-me com ele"

Merleau-Ponty

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Medéia em Pé




Desculpa Pedro,

Sem pretexto eu minto

Nos teus braços amigáveis

Não quis nem parque, nem recreio.

Muito menos que caissem mais os meus seios.


Desculpa Pedro,

Destrui nosso poema mais bonito

E bem escrito.


Fiz, porque era preciso

, porque você não faria

, pra você poder dormir em paz.


Enquanto eu sofria e

O quão doida foi minha agonia.


Mesmo assim,

Novamente eu faria.